quinta-feira, 11 de março de 2010

Notícia publicada no jornal Folha de São Paulo sobre o reconhecimento e a história do Quilombo Capivari (2004)

Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano

domingo, 02 de maio de 2004.

HISTÓRIA

Em Capivari, família resistiu à pressão dos canaviais e ao preconceito por 144 anos; reconhecimento impede venda de área


Quilombo é reconhecido no interior de SP

CAROLINA FARIAS

FREE-LANCE PARA A FOLHA CAMPINAS


Mesmo com a pressão dos canaviais e com o preconceito da comunidade, o sítio Santa Rita de Cássia, em Capivari (135 km a noroeste de São Paulo), resistiu 144 anos e foi reconhecido como terra quilombola na segunda quinzena do mês passado.

O quilombo será o primeiro do Estado de São Paulo a deixar de ser uma área particular para ser titulado como local ocupado por descendentes de escravos.

Com seis hectares, o mais novo quilombo reconhecido pelo Estado é isolado pela cana-de-açúcar desde seu surgimento, em 1860. Foi comprado por Eva Barreto, negra, que recebeu as terras de seu ex-dono com o compromisso de trabalhar para pagar pela área.

Desde então, a terra nunca deixou de ser ocupada por descendentes da primeira proprietária.


Venda proibida

Com o reconhecimento, nenhum membro das famílias que descendem da matriarca poderá vender glebas da terra, como ocorreu na época da expansão da cana-de-açúcar na região.

"Na década de 70 do século passado, com a expansão do canavial, aconteceu a migração da maioria dos descendentes de escravos que vivia no quilombo. Eles vendiam as terras para as usinas e iam para a cidade", disse a antropóloga coordenadora do levantamento sobre o quilombo de Capivari, Patrícia Scalli dos Santos, 33.

"Por anos, usinas de açúcar tentaram comprar a área", disse Cleonice Pereira, 50, que mora na área atualmente.


Reconhecimento

O processo de reconhecimento começou em 2002, quando o pastor evangélico Carlos Alberto Sampaio, 43, quinta geração de Barreto, procurou o Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo) para tentar a regularização do quilombo.

Hoje o Estado de São Paulo tem 17 quilombos, reconhecidos pelo Itesp a partir de 1998, e cinco em fase final de reconhecimento.

Com o reconhecimento, 16 famílias da descendência de Barreto são consideradas quilombolas.

De acordo com a antropóloga, o reconhecimento é importante não somente para preservar a área como terra quilombola, "mas para o resgate do valor cultural, histórico e da auto-estima dos negros".

Além disso, o Itesp também oferece cursos e oficinas de capacitação na área agrícola para ajudar as comunidades dos quilombos.

A antropóloga explica que os negros em Capivari, com base nos estudos feitos pelo Itesp, sofreram com o preconceito da população branca da cidade. "Negros não casavam com brancos, andavam do lado oposto da praça e não podiam entrar no clube", afirmou.

Agora cabe ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) dar o título de quilombo à área após avaliar qual tipo de procedimento será utilizado por ser uma área particular, herdada pelas famílias quilombolas locais.

fonte:

http://br.groups.yahoo.com/group/discriminacaoracial/message/11095

Notícia publicada no jornal O Estado de São Paulo sobre o reconhecimento e a situação do Quilombo Capivari (2004)

Publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo 12/05/2004

Com apenas uma casa simples onde residem três mulheres descendentes de escravos, o sítio Santa Rita, em Capivari, se tornou a primeira área no Estado de São Paulo reconhecida pelo Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) como uma terra comprada por quilombolas. O sítio tem 6 hectares e era um quilombo no início do século passado. É cercado por plantação de cana-de-açúcar e hoje não tem energia elétrica, nem rede de água e esgoto.

O Itesp já reconheceu 17 quilombos de afrodescendentes em Eldorado, Iporanga, Salto de Pirapora, Ubatuba, Itapeva e Cananéia. A diferença é que esses quilombos foram formados a partir de invasões. Está em fase final de conclusão a análise de mais seis localidades. Outras áreas que serão analisadas e aguardam vistorias técnicas estão na região de Sorocaba, Vale do Ribeira, Tietê e Rio Claro.

Conforme a geógrafa do Itesp Roseleine Bertaco Giacomini, após o reconhecimento, cabe ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) dar o título definitivo de quilombo à localidade. "O Quilombo Capivari é a primeira área particular reconhecida como quilombo, porque já havia o domínio da terra e nenhum conflito local", disse a geógrafa.

"Significa também um resgate cultural e histórico." De acordo com o Itesp a área não poderá ser negociada, mas deverá ser ocupada por alguma atividade.

"Os negros que não aceitavam trabalhar nas fazendas se refugiavam nessas matas", conta o representante comercial Carlos Alberto Sampaio, bisneto de Eva Barreto, uma ex-escrava que comprou o sítio com os irmãos por meio da troca do trabalho no campo, entre os anos de 1903 a 1905. A família chegou à região na década de 1860, vinda da África, e foi distribuída por propriedades de Piracicaba, Porto Feliz e Itu.

"Nossos descendentes estão por toda a região. Estamos recontando nossa história", disse Sampaio. O levantamento da documentação para o processo de reconhecimento do Quilombo Capivari levou 3 anos.

A única casa na área é de Cleonice Pereira, que mora com duas filhas. Ela é a segunda esposa do pai de Sampaio, morto em 1992, e está lá há 25 anos.

"Nosso objetivo agora é desenvolver projetos sociais com trabalhos rurais de economia alternativa, que gerem recursos financeiros e tragam benefícios para todos", disse Sampaio.


fonte:

quarta-feira, 10 de março de 2010

Tradição da Umbigada em Capivari

A cultura afro-brasileira tem presença marcante nas manifestações culturais da cidade de Capivari. A revista Jangada Brasil n° 40 (Dezembro de 2001) publicou um belo artigo sobre a Umbigada em Fileira, disponibilizando para download músicas e partituras do grupo capivariano de batuqueiros do Grupo de Batuque e Umbigada Tambor do Congo, de Capivari, SP. Vale a pena ler o artigo e curtir as músicas, que estão em formato MIDI (bem simples e sem os vocais), mas as letras podem ser conferidas nas partituras em pdf. Abaixo os links para o artigo e para as músicas e partituras:

http://www.jangadabrasil.com.br/dezembro40/fe40120b.htm

links para os midis:

Escravidão

http://dc177.4shared.com/download/235556767/5693c56d/escravidao.mid

Toda festa que eu vou

http://dc202.4shared.com/download/235556769/b12be86a/todafestaqueeuvou.mid

Treze de Maio

http://dc180.4shared.com/download/235556371/a1e2f9c5/trezedemaio.mid

links para as partituras:

Escravidão

http://dc203.4shared.com/download/235556381/267ae50a/Escravidao.pdf

Toda festa que eu vou

http://dc120.4shared.com/download/235556377/48815cf0/Toda_Festa_Que_Eu_Vou.pdf

Treze de Maio

http://dc207.4shared.com/download/235556766/2194f5fb/Treze_de_Maio.pdf

Todas as músicas revelam ricas manifestações culturais de nossa região, as letras pode ser analisadas como documentos históricos da afirmação cultural afro-brasileira em nossa cidade.

sexta-feira, 5 de março de 2010

RELATÓRIO TÉCNICO-CIENTÍFICO SOBRE OS REMANESCENTES DA COMUNIDADE QUILOMBOS DE CAPIVARI/CAPIVARI-SP Dezembro/2003

Segue o link para o Relatório Técnico-Científico sobre o Quilombo Capivari. Escrito pela antropóloga Maria Cecília Manzoli Turatti para o Instituto de Terra do Estado de São Paulo é um documento fundamental para compreender a importância histórico-cultural e jurídica do reconhecimento do Quilombo Capivari. Além disso, a autora chama a atenção para a importância da comunidade, infelizmente pouco conhecida na cidade de mesmo nome onde está situada.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Reunião de habitantes de Quilombos: destaque para o Quilombo Capivari

Habitantes de quilombos reúnem-se em Iperó para fortificar os laços de identidade com a cultura afro-brasileira e entender sua importância

10 de junho de 2006

A Fundação ITESP (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) e a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo abriram as oficinas temáticas do Projeto Quilombo-Vivo com o tema 'História e Cultura Africana e Afro-brasileira' em um encontro na Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó.

Ainda há 23 comunidades descendentes de escravos que vivem precariamente em quilombos no Estado, como Cafundó, Capivari, Brotas, Caxambú e Camburi.

O evento buscou reforçar os centros de interação cultural criados pelo governo em que bibliotecas com mais de 300 livros e um computador serão doados, em parceria com o CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), para as comunidades quilombolas.

A socióloga Ana Helena Passos acredita que a sociedade precisa olhar para os negros de outra forma: 'Eles foram fundamentais para a construção da humanidade e precisam ser reconhecidos e respeitados por isso', diz.

Realidade quilombola

O líder de Capivari, Carlos Sampaio, conta que o quilombo foi fundado em 1860, mas só em 2003 foi reconhecido pelo governo.

Lá não há água e eles lutam por um poço. Em Caxambú, não é diferente.

O líder Orlando Silva relata que invasões de terra prejudicam os habitantes. 'Eles não podem plantar nem criar animais porque estão espremidos no topo de uma montanha.'

FONTE: Jornal Bom Dia - Sorocaba-SP - http://www.bomdiasorocaba.com.br em 09/06/06

Coordenação dos Quilombolas - Carta Maior

Coordenação dos Quilombolas é criada em encontro no litoral de SP

Fernanda Sucupira – Carta Maior

Os principais problemas das comunidades quilombolas do Brasil se relacionam à posse de suas terras ancestrais. No Estado de São Paulo, essa situação não é diferente. Grande parte das mais de oitenta comunidades paulistas enfrentam conflitos com grileiros e fazendeiros, sofrem com a construção de grandes empreendimentos em suas terras, convivem com ameaças constantes de despejo do território que, em muitos casos, já ocupam há mais de um século. Além disso, também vivem em condições socioeconômicas precárias e têm grandes dificuldades de efetivar seus direitos básicos de saúde, educação e moradia, entre outros.

Para mobilizar as comunidades no Estado, organizar suas reivindicações e fazer a interlocução entre essas populações tradicionais e o poder público, foi criada a Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas de São Paulo, durante o encontro “Quilombos do Brasil – Reconhecimento, Regularização e Titulação”, realizado de 2 a 4 de dezembro, na comunidade de Caçandoca, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo.

“O desafio e o papel da coordenação é saber ouvir essas comunidades e conseguir passar para o governo um plano de ação de forma organizada. Se as comunidades não se organizarem, não se fizerem representar, por maior que seja a vontade do governo de reconhecimento das terras, essa luta poder ser infinita. Tem uma parte que cabe a nós”, afirma Carlos Alberto Sampaio, da comunidade de Capivari, próxima a Campinas. Segundo ele, os quilombolas precisam ganhar respeito diante dos órgãos públicos, levantar informações sobre suas comunidades para que o governo possa trabalhar políticas públicas, e começar a construir um caminho de desenvolvimento.

De acordo com a Carta de Caçandoca, o documento final do encontro - que teve a participação de cerca de 350 pessoas, entre elas representantes de 29 comunidades quilombolas - “a coordenação é o nosso instrumento para que o povo quilombola deixe de ser tutelado pelo Estado e passe a exercer o protagonismo de sua própria história”.

Para os participantes, o encontro foi importante não apenas para proporcionar a troca de experiências entre quilombolas de diferentes regiões do Estado e do Brasil, como também para que fosse possível identificar que as comunidades se encontram em estágios de organização e mobilização bastante diferentes. Enquanto algumas já lutam há décadas pela efetivação de seus direitos e já possuíam representantes na Comissão Provisória Estadual das Associações de Comunidades Quilombolas de São Paulo, que antecedeu a coordenação, outras ainda enfrentam grandes dificuldades para criar sua associação local.

Embora o direito à terra das comunidades quilombolas esteja previsto na Constituição Brasileira de 1988, ele ainda está longe de ser uma realidade para esses povos. Por isso, a reivindicação primordial da coordenação estadual - que se divide em três grandes regiões: Sudoeste, Vale do Paraíba e Litoral Norte - é a aceleração do processo de reconhecimento, regularização e titulação das áreas quilombolas. A posse desses territórios étnicos é questão de sobrevivência para essas populações tradicionais, que enfrentam diversos conflitos por suas terras. Enquanto elas não têm o título nas mãos, ficam à mercê da boa vontade do poder público, dos grileiros e de pessoas que vivem da especulação imobiliária, podendo ser removidas dessas áreas com certa facilidade.

No Vale do Ribeira, por exemplo, o principal problema é a proposta de construção de uma barragem no rio Ribeira de Iguape, que inundaria diversas comunidades da região. Há cerca de vinte anos, quilombolas, indígenas e ribeirinhos lutam contra o projeto encabeçado por um consórcio de empresas que reúne Camargo Correa, Votorantim e Bradesco. Apesar de já terem conseguido diversas vitórias parciais, a ameaça continua. “Os documentos estão no Conselho Nacional do Meio Ambiente, depois vão para o Ibama e aí começam as audiências públicas. A qualquer momento eles podem assinar o licenciamento do empreendimento. Até agora nós seguramos, mas ficou difícil. Não sei até quando nós vamos segurar”, afirma Benedito Alves da Silva, o Ditão, quilombola da comunidade de Ivaporanduva, do Vale do Ribeira, e coordenador da região.

Já na Sudoeste, a comunidade de Piraporinha, localizada na divisa entre os municípios de Salto de Pirapora e Sorocaba, também está prestes a perder parte significativa de seu território. Um projeto de criação de uma universidade federal na região e de duplicação da rodovia Raposo Tavares inclui uma área dos quilombolas utilizada para desenvolver agricultura sustentável.

Infra estrutura

Além da questão da terra, outros problemas também deverão ser abordados pela recém criada coordenação estadual. Eles pretendem dedicar especial atenção ao saneamento básico, área em que as comunidades enfrentam sérios problemas. É freqüente a existência de esgotos a céu aberto e de crianças brincando em água suja. Cada vez aumenta mais a proliferação de diversas doenças que poderiam ser evitadas facilmente. Em Capivari, por exemplo, não existe água na comunidade, que precisa ser abastecida por um caminhão-pipa, levado pela prefeitura três vezes por semana.

Além disso, os municípios que têm quilombos em seu território recebem recursos a mais do Ministério da Saúde, mas muitas vezes não o repassam para a comunidade. Os habitantes de Caçandoca denunciam que o Programa de Saúde da Família muitas vezes demora até dois meses para aparecer na área, quando deveria fazer visitas pelo menos a cada quinze dias.

Outra prioridade da coordenação é a educação, já que a maioria dos quilombos não possui escolas dentro do território étnico e as pessoas precisam percorrer grandes distâncias para estudar. Somando-se a isso a questão do acesso a essas áreas, o problema se torna ainda mais dramático. É uma verdadeira aventura chegar em certas comunidades porque as estradas raramente são asfaltadas e, em dias de chuva, a terra molhada dificulta a circulação.

As crianças dependem das prefeituras para disponibilizar um transporte escolar até a escola mais próxima. “Os dois prédios da nossa escola continuam fechados, não foram reativados. As crianças viajam por seis horas ida e volta para estudar quatro horas, vão a pé ou de ônibus, e um sacrifício. Quando chove, os ônibus não vêm até aqui e a criança tem que marchar isso tudo”, conta Antônio dos Santos, presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombos da Comunidade de Caçandoca, que também coordena a região do litoral norte. Por conta dessa situação, muitas crianças acabam faltando às aulas com freqüência. Os participantes do encontro sentiram na pele as dificuldades de acesso à Caçandoca. No segundo dia do evento, as fortes chuvas impediram que as discussões se realizassem na comunidade, o que frustrou os quilombolas dali.

“A partir do momento que nós conseguirmos o título de domínio nada impede que nós tenhamos planos de ações combinadas para começar a trabalhar o desenvolvimento sustentável, que é um desafio também”, afirma o quilombola Sampaio, que também é coordenador da região Sudoeste. Segundo ele, já estão sendo feitas parcerias de implementação de políticas públicas nesse sentido com as próprias prefeituras, que estão começando a tomar conhecimento do que são comunidades de quilombos, já que muitas vezes elas são confundidas com favelas. Esse era o caso da comunidade Brotas, que fica dentro do município de Itatiba, e era originalmente um quilombo urbano. “O prefeito não sabia que ali havia um conhecimento histórico, que aquela comunidade tinha uma relação com aquela terra há mais de dois séculos. É um problema sério para comunidades dentro de centros urbanos”, constata.

Há também as questões mais específicas de cada região. No litoral norte, as comunidades sofrem grandes restrições por estarem dentro do Parque Estadual da Serra do Mar e do o Parque Nacional da Serra da Bocaina. Entre elas está a proibição de plantar nessas áreas e de construir casas de pau-a-pique. Eles reclamam que sofrem punições severas quando desobedecem as leis ambientais, enquanto os ricos cortam tudo e poluem os rios, sem nenhuma conseqüência.

“Eles cumprem a lei de uma forma rígida, não perguntam, não fazem um reparo nem uma avaliação. Eles precisam ser conscientizados, pois existem muitas formas de conversar para depois aplicar leis. Os quilombolas que moram nessas regiões não têm informação nenhuma, não têm nem TV. No momento, eles têm que conversar com as pessoas, fazer palestras e orientar, não podem aplicar a multa da forma rígida que estão aplicando. Esse problema nós estamos resolvendo com a Frente Parlamentar, já entramos com uma emenda afastando o parque do quilombo”, afirma o presidente da associação quilombola de Caçandoca. Os quilombolas argumentam que tais áreas foram preservadas justamente por conta da ocupação sustentável desses grupos tradicionais nesses territórios.

Segundo a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), presente ao encontro, mesmo antes de o presidente Lula tomar posse, ainda no governo de transição, eles foram procurados por representantes do movimento quilombola que mostraram o caminho a ser seguido. Eles reivindicavam a revisão do texto do Decreto 3.912, de 2001, que regulamentava a titulação das terras quilombolas; ressaltavam a necessidade de avançar na regularização fundiária desses territórios; e de implementar políticas públicas específicas para os quilombos.

O texto já foi revisto, resultando no Decreto 4.887, considerado bastante superior ao anterior, mas ainda alvo de diversas críticas. Duas comunidades foram tituladas pelo governo Lula até agora. A ministra diz que as questões fundiárias não se resolvem da noite para o dia porque mexer com as terras é “mexer no centro do poder”. De acordo com ela, cerca de 270 processos coordenados pelo Incra estão em andamento, em estágios diferentes do processo, atingindo cerca de 400 comunidades, das mais de 2.200 identificadas até agora no país.

“Quando o presidente Lula recebeu recentemente a coordenação das duas Marchas Zumbi+10, ele novamente se comprometeu a olhar com ainda mais carinho para as políticas para remanescentes de quilombos. Ele determinou que nós ministros firmássemos uma força tarefa junto ao Incra para acelerar a regularização fundiária”, contou a ministra. Matilde também ressaltou as ações do governo federal no Programa Brasil Quilombola, em diversas áreas, em projetos de saúde, educação, geração de renda, moradia e infra-estrutura.

Fonte: Agência Carta Maior

FONTE: AGÊNCIA CARTA MAIOR

SITE: http://www.agenciacartamaior.com.br

PUBLICAÇÃO: 09/12/2005

Relatório de 1887 sobre o fim da escravidão.

Este documento trata da resistência quilombola na região de Capivari no final do Império:

Relatório sobre o fim da escravidão em Capivari - "Havendo chegado ao conhecimento da Presidência, por telegramas particulares de fazendeiros de Itú, Indaiatuba, Capivari e Piracicaba, que grande número de escravos se tinha revoltado e vagava por aqueles municípios, furtando-se ao serviço de seus senhores, aos quais intimavam, para conceder-lhes imediatamente carta de liberdade e pagar-lhes salário, confirmadas estas notícias pelas autoridades policiais desses lugares. (Relatório apresentado ao limo. e Exmo. Sr. Dr. Francisco de P. Rodrigues Alves, presidente da província de São Paulo, pelo chefe de polícia interino, o juiz de direito Salvador António Moniz Barreto Aragão, em 31 de dezembro de 1887)